Street anime

samurai champlooDepois de Mushishi, acabei perdendo o pé da seqüência de animes que assistimos. Intercalamos episódios de House, Dexter e Heroes e acabei não contando que vimos Claymore – ótimo – e Full Metal Alchmist. Volto aos dois depois, porque em seguida assistimos a Samurai Champloo e esse não quero deixar passar.

O Edson lembra que já tinha tentado me fazer assistir a Samurai Champloo lá no começo, um pouco antes da gente ver Vision of Escaflowne, e eu não tinha gostado. Na época, eu quase não conhecia nada de anime e só me rendi depois a Escaflowne por conta da excelente trilha sonora.

Depois um monte de animes excelentes e com medo de ver alguma coisa ruim, acabei cedendo. Ainda bem que só cedi agora. Champloo é ótimo. Mas ele é melhor ainda depois de já ter assistido um monte de animes diferentes e, mais ainda, depois de ter visto Cowboy Bebop, também do gênio Shinichiro Watanabe.

(Bebop e Escaflowne têm ainda mais uma ligação, que é a presença da maravilhosa compositora Yoko Kanno na trilha sonora. Ela está também em Wolf´s Rain.)

É que só depois de estar acostumada à linguagem dos animes bons e alguns ruins, e só depois de ter experimentado um anime regado à jazz como Cowboy Bebop é que é possível curtir de verdade um anime regado a hip-hop como Champloo.

samurai_champlooPorque, para Watanabe, a trilha sonora não é apenas ilustração, ambientação. A trilha é a base de toda a narrativa. Em Bebop, não vemos apenas batalhas aéreas ao som de jazz (o que por si só já é surpreendente e único), mas personagens que vivem do improviso em um roteiro que segue o mesmo ritmo do bebop. Não entendo muito de música, mas uma característica que li desse estilo lembra bastante a estrutura da série:

“Os músicos tocavam o tema (“the head”) de uma peça, geralmente em uníssono, daí revezavam tocando solos baseados na progressão de acordes da peça, e finalmente tocavam a melodia novamente.”

Isso bate bastante tanto com a estrutura de cada episódio, que tem uma história independente, quanto da série como um todo: que tem uma história de fundo sustentando uma seqüência de solos e improvisos.

Imagino que assistir a Bebop e Champloo seja ainda mais interessante para quem entende muito de música.

jinEm Champloo, também experimentamos a surpresa do anacronismo quando ouvimos uma trilha de hip-hop sobre uma história que se passa no Japão da era Tokugawa. E esse anacronismo está também em todo o roteiro. Em um dos 26 episódios, por exemplo, um grupo de herdeiros de um dojo se sente desestimulado de seguir a vida samurai e encontra um outro meio de se expressar: o grafite. Sim, são samurais grafiteiros! Como uma boa cultura de rua deve ser.

A narrativa segue o ritmo do hip-hop. Nem sempre linear, intercalada com cortes em scratches e intervenções de um narrador, que atua como um MC, apresentando a história, contextualizando, dando opiniões e mandando mensagens. Aliás, vamos à história: Fuu é uma garçonete que cria coragem de ir atrás de um tal “samurai que cheira a girassóis” (sem spoiler sobre quem é ele, né?) quando dois samurais “fodões” aparecem em sua vida. Mugen e Jin são praticamente opostos: Jin é o clássico samurai. Mugen? Bem, veja mais abaixo. Ela convence ambos a irem com ela nessa jornada que atravessa o país. Essa é a história de fundo. A cada episódio, uma surpresa. Histórias de viagens são sempre boas, né? Kino-no-Tabi, Mushishi…

mugen e fuuAssim como Spike é o personagem que mais traduz o jazz em Bebop, em Champloo é Mugen quem incorpora o espírito hip-hop. Ele luta com os movimentos da dança de rua, se veste com a moda larga que ajuda nesses movimentos e leva a vida com a atitude subsersiva da cultura das ruas. Mugen é um pirata hip-hop (porque tudo que tem piratas é mais legal!).

Mas não é só isso. Champloo é também o anime que tem o melhor episódio de recap existente. Desafio a me mostrarem um melhor. “Recap” é como chamam aqueles episódios que aparecem lá pelo meio do anime apenas para recapitular a história até ali. Em Wolf’s Rain é insuportável. São vários episódios apenas repetindo as cenas que já vimos. Não acaba nunca mais. O inferno. Em Champloo, Mugen e Jin encontram um diário de Fuu e somos reapresentados à história a partir da visão dela, com os comentários de Mugen e Jin. É hilário. Além de ser divertido ver tudo sob outra perspectiva, ganhamos de brinde alguns detalhes novos, que não haviam aparecido antes.

Champloo também é um anime que traz temas bem ousados para seus episódios, como a homossexualidade, o uso de drogas e religião, com um tratamento sóbrio, sensível e sensato.

Por fim, algumas semelhanças com Bebop que não conseguimos deixar passar:

Os personagens vivem morrendo de fome! Watanabe deve ser um cara para lá de faminto. rs

Champloo também tem o seu “episódio monstro da geladeira”. Aquele episódio totalmente nonsense no meio da série, fora da narrativa e da lógica do mundo, sabe? Muito bom! Conte qual você acha que é o “epi monstro da geladeira” de Champloo nos comentários!

As duas séries têm ótimas aberturas, apesar de Bebop ainda manter o topo no ranking de melhores aberturas de anime ever.

E ambos, no final das contas, falam da mesma coisa: um grupo que não é lá muito unido, mas que descobre o companheirismo ao longo das aventuras por que passam juntos.

Vai assistir, né?

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7 doses de saquê

Edson Vicente Carli Juniordezembro 4th, 2009 at 20:23

Muito show!

Alias, excelente anime, merecia mesmo este post!

Rafadezembro 8th, 2009 at 12:51

Desde a primeira vez que me falaram pra ver Escaflowne – eu tava no colégio ainda – citaram o quão a trilha é fenomenal e é mesmo, acho que nunca passei do primeiro episódio mas a trilha pega antes de qualquer coisa (a tal amiga que tinha indicado mandou um K7 – old school total – com material da OST, ela tinha o cd me parece).
Samurai Champloo… Só vi o jogo de PS2 – totalmente não recomendado, hahah.

Rafaelladezembro 8th, 2009 at 12:55

E sobre episódio recap, nem me fale, só lembro de Evangelion, é ridícula a tentativa de recapitular as coisas.

“Em Wolf’s Rain é insuportável. São vários episódios apenas repetindo as cenas que já vimos. Não acaba nunca mais. O inferno.”

Dá pra sentir a agonia de Maíra inteirinha aqui, hahahah.

Pikachudezembro 22nd, 2009 at 23:42

Oie, Casal 10!

Adorei o texto e achei vocês pesquisando sobre “os melhores casais de animes em 2009″; hilário, não?!

Samurai Champloo é maravilhoso pois no 1° episódio a gente jah fica pasmo com o trocadilho do “squash” e a troca de cena do Japão atual para o medieval, sem dizer da mesma plástica para mostrar a luta do Jin e do Mugen intercalando-os!

Wolf’s Rain eu assisti por insistência de um amigo, mas é triste. Eu cortaria muita coisa e pensaria num final melhor. E concordo o “recap” foi medonho! Mas a melhor cena e que eu não esperava foi a morte da Cher depois de passar a Cheza para o Hubb. Aquilo foi impressionante.

Brincando com o tempo | Casal 10março 3rd, 2010 at 18:56

[...] lançado em 1972. Mas o roteiro é muito bem feitinho e ainda consegue surpreender. Assim como em Samurai Champloo, os personagens principais formam um trio, com uma menina e dois garotos, que funciona muito bem. O [...]

Sangue! | Casal 10março 4th, 2010 at 19:41

[...] seus irmãos Kai e Riku. O que também é uma característica que apreciamos bastante nos animes. Samurai Champloo tem um tanto disso. São desenhos para adultos, afinal. E, podemos estar enganados, mas nos parece [...]

Tiagojunho 16th, 2010 at 9:33

Muito bom, vc escreve muito bem mesmo, curti o texto. Assisti o Champloo ha um tempo e como amante do hip-hop e do anime, foi uma fusão perfeita pra mim. Add o seu blog nos favoritos da raposa. Abçs Tiago Erryone

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