Graças à Maria da Penha, o Brasil tem uma definição – em lei – do que é a violência contra a mulher.
A Lei Maria da Penha (Lei 11.340, de 7 de agosto de 2006) assim define a violência doméstica e familiar contra as mulheres:
Art. 5o Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial:
I – no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas;
II – no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa;
III – em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação.
Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual.
Graças a essa lei, o país tem, cada vez mais, acesso a números e informações concretas sobre o assunto, já que tem aumentado o número de mulheres que autodeclaram ter sofrido violência doméstica e/ou familiar. Sabe-se, por exemplo, que:
Para saber mais, consulte o site da Campanha, que está recheado de informações sobre o tema.
A Letícia nos ajudou, esmiuçando o que a Lei Maria da Penha quer dizer, bem na prática. É importante ler com atenção, pois é muito comum pensarmos a violência contra a mulher apenas como física. Afinal, essa ainda é sempre a mais gritante, a mais fácil de identificar. Mas muitas outras formas de violência ocorrem todos os dias, sob nossos narizes. Confere só:
Principais manifestações da violência contra as mulheres
Segundo a Lei Maria da Penha, a violência contra as mulheres pode se manifestar das seguintes formas:
Espaços relacionais onde a violência ocorre
Além dos tipos de violência (física, sexual, psicológica e patrimonial), outro critério de classificação é o espaço relacional onde ocorrem:
Todos esses tipos de violência são absurdos em si, seja contra mulheres seja contra homens. Mas não custa lembrar que – infelizmente – os números e os fatos ainda trabalham contra a igualdade.
A Lei Maria da Penha é recente, de agosto de 2006. Também recentes são algumas mudanças na lei que a Let lembrou no último LuluzinhaCampSP. Até não muito tempo atrás, o homem podia devolver uma mulher se constatasse, após o casamento, que ela não fosse virgem. E outros absurdos. Que seriam menos absurdos se não fossem até pouco tempo ainda aplicados por juízes pelo país. Recentes são os crimes “de legítima defesa da honra”. Lembro de já ter lido, na revista Época, diversas matérias sobre o assunto. Uma delas, da Solange Azevedo é deste ano. Outra, da Paloma Cotes mostra como os caras se livravam de uma pena com essa alegação. Valem a leitura.
É preciso estar atento e engrossar aquele número ali de 39% que tomam alguma atitude de colaboração com a vítima frente a uma agressão.

a verdadeira bandeira pirata
Sabe aquela propaganda idiota que, por incrível que pareça, aparece apenas nos DVDs originais? Sobre você ao comprar DVDs “piratas” ajudar o submudno do crime?
Pois é sempre achei aquilo a coisa mais idiota do mundo, afinal, dinheiro circula. Se você faz uma doação à igreja, o pastor (ou padre) vai até a panificadora e compra um pão para os fiéis para o fim do próximo culto, e o dinheiro é usado de troco para um cliente que é chefe do tráfico de drogas. Agora não vou mais doar a igreja?
Pois bem, vou usar um exemplo mais provável, você compra um DVD original, o dinheiro vai para a BMG e eles usam esse recurso para contratar advogados que conseguem informações usando brechas nas leis para posteriormente extorquir dinheiro de crianças e adolescentes. Parece surreal? Mas é a dura realidade. E é por causa disso que que a estudante Shahanda Moelle Moursy da Carolina está movendo um processo contra quatro megas gravadoras e movendo uma campanha contra essa atitude perversa destas gigantes corporações.
Abaixo alguns trechos da carta dela:
Hoje, 3 de fevereiro, eu tive uma ótima conversa com um tal de Morgan Schwartzlander [líder do centro de extorsão da RIAA] e vou contar para vocês, foi tão surpreendente, que eu desliguei o telefone em prantos. Meu acordo de US$ 2 mil foi ridículo comparado com o acordo (não negociável) de US$ 8.100.
Morgan me disse que ela não é uma advogada, mas ela vai te dizer o que faria em seu lugar, ela vai contar algumas estatísticas sobre como processos não são garantidos e depois ela vai te contar que qualquer um que entre com uma ação contra eles é um idiota (Eu acho que ela não sabia que este era meu pai.).
Eu ganho US$ 4.500,00 por ANO trabalhando no Dairy Queen e eles querem que eu pague mais de US$ 8mil? Não sei como é que isso pode funcionar. Eu compro músicas no iTunes por US$0,99. Nem todos os estudantes têm mamãe e papai para pagar para que seus problemas desapareçam.
Eu nunca vendi música com copyright para ganhar dinheiro. Eu usei a rede (p2p) para encontrar músicas ou descobrir se eu gostava da banda o suficiente para comprar o CD. Eu detesto comprar um CD por causa de uma única música. Eu jamais imaginei que estava prejudicando as bandas que adoro encontrando mais de sua música, escutando-as e comprando seus CDs. Isso é surreal!
Vocês podem ver a carta do advogado de Shahanda e sua carta na íntegra em no Pylemusic e se desejar ajudar a divulgar a versão traduzida desta polêmica.
Fontes:
http://www.pylemusic.com/blog/
http://torrentfreak.com/riaa-sued-for-fraud-abuse-and-legal-sham-090301/

Para quem não conhece eu irei fazer um breve resumo, Legendas Tv é o maior e mais bem feito site de legendas da internet.
Os usuários criam suas legendas e sobem; ou baixam; ou baixam, melhoram e sobem. Não importa, é uma comunidade de usuários que gostam de editar legendas ou buscam elas para suas séries, principalmente a tão famosa Lost (que por motivos que não cabem aqui não me animou muito).
Fiquei sabendo hoje pelo Ligados em Série que o site Legendas Tv havia saido temporariamente do ar. Motivo? A Associação Anti-Pirataria de Cinema e Música convenceu o datacenter a remover eles do ar.
Bom, primeiro vamos definir pirataria. Pirataria é, de maneira simplista, roubar o que não lhe pertence por meios violentos.
É parece que não é o caso da Legendas-Tv. Ok, vamos então fechar um pouco os olhos e tentar adaptar o conceito de Pirataria ao conceito de usar conteúdo sem permissão do autor de forma a obter lucro. Hm, parece que ainda assim não ficou bom, até porque a FOX, TNT e Universal vinham roubando usando as legendas do Legendas-Tv sem que a APCM fizesse nada.

Ok, então vamos fechar completamente os olhos para não ver que a APCM tem interesse apenas em ajudar grandes corporações e está pouco se fudendo com a lei, usuários e as comunidades na internet. Agora sim, deu para ver perfeito, parabéns APCM pelo ótimo serviço!
Ficaria muito bonito se a Legendas-Tv ganhasse uma causa contra a APCM pelo prejuizo causado. Depois de uma destas queria ver se a APCM continuaria com esta atitude piratesca bárbara.
Esse é para os que defendem que o direito autoral serve para proteger e incentivar a produção de conteúdo.
Agora “virou moda” mandar recolher biografias. Foi a do Roberto Carlos, agora a do Midani e essa do Rosa. Leia matéria, super completa, no Portal Literal. De lá, aproveite para ver também a matéria da Piauí.
Por aqui, repito o trecho que, para mim, resume a preocupação do texto:
“Além de inconstitucional, seria lamentável e patético se só pudéssemos ler biografias autorizadas, a tecer loas e elogios sem fim aos biografados. Contanto que respeite a honra, sem caluniar, difamar ou injuriar, questões previstas na lei e passíveis de punição, não teria porque não termos o direito de falar e escrever, sobretudo a respeito de pessoas públicas.”
Trata-se da Carta de São Paulo pelo Acesso a Bens Culturais, uma proposta de reforma da lei de direitos autorais assinada por professores, acadêmicos, artistas, entre outro monte de gente bacana.
Não é uma proposta tão radical quanto costumamos defender aqui, mas já seria uma lei mais realista e um enorme avanço. Tá tudo explicadinho lá no Stoa. Vale a leitura e sua assinatura.
Acho que muitos sabem que não gosto da polícia, seja civil ou militar mas tenho meus motivos. Eu presenciei pessoalmente em minha vida duas atitudes corretas da polícia e presenciei 4 roubos ou situações incorretas feitos por ela.
Desde criança não gosto de polícia. Quando eu tinha 13 ou 14 anos eu já andava para todo canto de ônibus em Curitiba e certa vez fui com meu irmão adotivo ao Zoológico. Tínhamos planejado a ida até o Zoo durante uma semana. Iríamos sozinhos e portanto passaríamos o dia inteiro lá. Meu irmão tinha 5 anos a menos que eu e parecia adorar a idéia. Josuel era negro, cabelo bem crespo, sorria o tempo todo e a gente andava que nem unha e carne nessa época. Mas ninguém dizia que éramos irmãos pois sou moreno mas filho de pai italianos e sempre tinha que explicar que ele era adotivo.
Brincamos de manhã na rua e pegamos ônibus sentido Boqueirão ainda um pouco sujos, nada como sair sem a vigília dos pais, caso em que provavelmente teríamos que tomar um novo banho antes de pôr os pés no ônibus.
Enfim chegamos no Zoo depois de 1 hora de ônibus. O passeio ia bem e entramos no parque. Logo nos primeiros 100 metros fomos parados por um par de policiais (que hoje não tenho como dizer se eram municipais, civis ou militares, mas creio que eram municipais).
Eles agiram como se fôssemos meninos de rua. Expliquei que tínhamos moradia e estávamos ali a passeio, eles não acreditaram. Perguntei: “Você pode ligar para meu pai?” e ele respondeu “Senhor, muleque, senhor! E não tem telefone nesse parque, agora sumam daqui! ”
Na saída do parque meu irmão ainda esperançoso apontou um telefone público “olha, telefona pro pai”. Disse para ele que o telefone não deveria funcionar senão o policial teria usado ele. Claro que não era a verdade. Dentro da guarita do policial eu vi uma outro policial telefonando, foi por isso que dei a idéia. Os policiais queriam é se livrar da gente.
Fora esse caso tem outros três casos, alguns com PM e outros PC, nenhum lá muito bom. Porém a gente sabe que nunca se pode generalizar. Sempre têm as ovelhas negras, ou, as ovelhas brancas. Pessoas que não aceitam o mundo como é e tentam mudar para melhor ou para pior, e mesmo que toda a polícia fosse corrupta seria impossível que não surgissem pessoas boas dentro tentando mudar a instituição.

Mas dentro da polícia tem sim muita gente boa e responsável, pessoas que estão lá para fazer o que a polícia tem que fazer, que é nos proteger e servir. Pessoas que merecem respeito e apoio. Pessoas que tentam limpar suas instituições, denunciando e agindo. Uma destas pessoas é o delegado de Polícia Dr Roberto Conde Guerra que tinha (e tem) o site e blog flitparasilante que foi removido do ar pelo Juiz Davi Capellato. Motivo? Dizer a verdade talvez, pois se um delegado de polícia fez algo errado para sua instituição, nada dá o direito de remover seu blog. Para entender melhor é como se um empregado de uma empresa cria um site que a empresa não gosta, e além de ser mandado embora um juiz dá direito à empresa de remover o site do empregado do ar. Parece absurdo, mas foi o que aconteceu.
No seu blog o Delegado fala sobre o que tem de errado na corporação e dá voz a muitos outros policiais a apontarem o que tem de errado, muitos policiais justos que apaixonados pela carreira tentam salvar a instituição. Pessoas como esse delegado que correm até risco de vida, deveriam ser tratadas como heróis, mas em vez disso são silenciados.
A Má já havia me enviado artigos desse delegado e eu vi outros tantos por conta própria e apesar de suas opiniões não tem nada que devesse ser removido do ar. A censura cada vez mais a favor dos fortes e de forma a capar nosso direito de expressão.
Palmas juiz Davi, brilhante decisão.
Porém como na internet nada pode ser contido, as palavras do delegado ecoam agora em outros 10 sites, que se apagados surgirão 100. O site original flit foi removido mas pode ser lido aqui, aqui, aqui, aqui seu conteúdo, e se for removido outros surgirão. Pois os admiradores do delegado, pegaram o cache do google e criaram cópias do blog.
Pois é, juiz Davi, tapar o sol com a peneira é complicado.
Eu ainda tenho fé que algumas coisas no Brasil tomem rumo.
Para saber mais:
casos de polícia
oteira
vermelho
verbeat
ouvidoriadopolicial
Dois dos primeiros posts que eu fiz nesse blog foram:
Movimento Anti-Anti-Pirataria Parte I
Movimento Anti-Anti-Pirataria Parte II
Volto agora com o assunto após ver uma intrigante informação no site Revolução Etc. Uma das coisas que me irritam no movimento anti-pirataria é a hipocrisia. Todos roubam idéias querendo ou não e isso faz com que se criem novas e admiráveis coisas. Porém apenas as grandes empresas têm o poder direito de barrar e processar quem utiliza suas criações e somente elas têm poder direito de copiar sem ser tachado de pirataria.
No artigo, Henrrique conta a história de Wiliam Fox, que roubou cinetógrafo inventado por Thomas Edson (sim o inventor da lâmpada) e fugiu de Nova Iorque para o velho Oeste para escapar de pagar direitos autorais. Estabeleceu-se numa cidade que futuramente se chamaria Hollywood. Wiliam Fox foi um dos fundadores do estúdio Fox.
Esta história Henrrique “pirateou” do livro The Pirate’s Dilemma, que pode ser adquirido gratuitamente no site deles.
Isso me fez lembrar, por exemplo, um caso que aconteceu depois dos meus últimos dois posts, em que a Wizards of The Coast lançou a 4a Edição com uma licença mais restrita para os usuários e demais editoras. Agora usar seu sistema para publicar aventuras só é possível se seguir uma inúmera série de padrões ou então será considerado “pirataria”.
Junto com a 4a Edição eles também lançaram uma mesa virtual para se jogar RPG a distância. Novidade? Não. Isso já existe há vários anos e tem diversos tipos. Pode ser via browser como o Taulukko ou usando programas client/server e aí o Fantasy Grounds é o líder do mercado. Pois bem. O programa da Wizards se chama D&D Insider e apesar deles gritarem a todos os cantos como se fosse algo novo, a única novidade é o fato de ser o primeiro tabuleiro 3D. Agora, a hipocrisia não está aí. A hipocresia é que enquanto eles espremem as pequenas editoras para não lançarem nada com seu sistema de regras eles descaradamente roubaram gráficos do FG para usar no Insider.
Reparem nos dados de ambos. Os do FG são dados em 3D feitos por uma engine que eles desenvolveram. Os do Insider, apesar do sistema ser 3D, os dados são 2D e são apenas imagens. A Smite Works, criadora do FG, obviamente abriu um processo contra a Wizards, que rapidamente trocou as imagens do Insider.
O grande problema que eu sempre critico também, além da hipocrisia, e que tem mais impacto em nossa vida é que quanto mais se defende e concede direitos autorais, menos direitos nós temos. Hoje já não é possível, por exemplo, tirar uma simples cópia de um jogo para poder se assegurar contra um acidente da mídia original. Algums filmes que eu compro não é possível assistir no computador por conta de sistemas antipirataria, mesmo o filme sendo original.
Por conta disso tudo, surgiu na Suécia o Partido Pirata. Um partido com esse nome no Brasil eu acredito que jamais seria levado a sério. Mas se tratando da Suécia, sim, e lá dia a dia está ganhando força. Na Espanha o partido também já tem representação e o objetivo é acabar ou diminuir o poder das leis de copyrights e transformar a internet numa sociedade livre de direitos.
No Brasil a representação deles é fraca mas já tem algumas, poucas, atuações. Espero que cresça. Para quem quiser se inscrever e participar o link está abaixo:
Enfim, baixem o livro, leiam e reflitam. =)
Tá rolando um seminário sobre Direito Autoral aqui em Sampa.
Não estou lá, mas dá para acompanhar parte do que acontece pelo twitter (é, aderi): @cyberfam #direitoautoral e também no site oficial, se minha internet ajudasse.
Depois de uma discussão acalorada no grupo do Área RPG sobre o assunto, é legal ver um seminário a sério, com informações embasadas e fontes. rs
Edit: hahah, agora os caras do @cyberfam estão narrando futebol. Vê se eu mereço! rs
Ouvi falar que tem projeto para ser aprovado que regulamentaria o rodízio de carros em Curitiba, espero que não seja verdade ou que não de em nada. Se isso acontecer podem dar adeus ao que resta do bom trânsito e ao ar
limpo de curitiba (limpo sim, porque somente quem vive em sampa sabe como é bom o ar de Curitiba).
Com rodizio, nos primeiros 2 anos o transito vai melhorar muito. Pois durante a semana 20% dos carros não vão circular no horário de rush.
Depois disso, quem tem 1 carro bom na garagem vai preferir vender e comprar dois carros médios para não ficar nenhum dia sem carro e como carro parado é prejuízo, o filho ou esposa que andava de ônibus vai passar a andar de carro. Quem tem um carro médio vai trocá-lo por um carro ruim e uma moto se ele tiver esse tipo de carta. Resumo, mais motos na rua, mais carros, e pior, carros velhos. Em menos de 3 anos vai estar um caos o trânsito (a exemplo dos lugares que instalaram sistema de rodízio) e o ar mais poluído.

À esquerda o engarrafamento em sampa, à direita em na organizada Curitiba. Quem reclama, reclama de barriga cheia.
Boa sorte aos curitibanos, se me perguntarem, rodízio só de carnes.
Não é novidade para muitos que frequentam o blog meu e da Má que eu e ela temos um servidor de um jogo multiplayer. Pois é e como todo servidor multi-player tivemos que criar regras que tornassem o servidor justo e que as regreas não tirassem a diversão de todos mas moldasse o servidor com o perfil que queríamos.
Entre tantas regras precisávamos criar um sistema de penas. Criamos então a seguinte penalidade:
1a Ocorrência de qualquer infração 7 dias de banimento do servidor, podendo jogar normalmente após isso.
2a Ocorrência era permanente.
Porque pensamos, poxa se a pessoa errar uma vez e ja entender que é errado não precisará de uma terceira chance. Regras e leis servem para fazer as pessoas agirem conforme o que a maioria acha que é correto. Leis sempre fizeram parte das sociedades e comunidades.
Pois bem, assim que começaram os banimentos ja teve um jogador banido permanente, ele havia feito antipropaganda sem perceber uma vez. Advertido disse que não faria mais, porém emprestou a conta para um amigo que fez antipropaganda e ele foi banido permanente. Ele argumentou com a staff que cumpriria a pena se fosse o caso mas achava injusto que mesmo agora depois de 2 meses ele jogando com nova conta podíamos constatar que ele realmente havia aprendido a lição. Eu e a staff é claro que não temos o hábito de sermos levados a aceitar choros de jogadores pois se fosse assim ninguém seria banido ^^ mas os argumentos eram fortes e outra coisa ele comentou: “é justo que de 7 dias o banimento seguinte seja infinitamente maior, permanente?”
Hm, pensamos, pensamos, discutimos e chegamos a conclusão de fazer um teste e criar uma pena a mais que valheria para todos os jogadores, para casos antigos e casos novos. Após o banimento de 7 dias viria uma de 2 meses e somente depois a permanente.
Com o passar do tempo vimos que agimos de uma maneira muito correta, pois diversos jogadores que deveriam ter sido banidos permanente por besteiras aprenderam na segunda chance e passaram a jogar corretamente. Jogadores realmente problema acabavam por ser banidos permanente do mesmo jeito, pois logo após voltar do banimento cometia o mesmo erro.
Errar é de fato humano, errar duas, três vezes também. Vimos com o tempo que os jogadores, mesmo alguns jogadores problemas após serem abordados com uma segunda, terceira chance se sentiam na obrigação de seguir as regras e mostrar para os adminsitradores que haviam mudado e que queriam ajudar o servidor em vez de causar problemas.
Então seguimos para mais um avanço, recentemente aprovamos um sistema ainda mais educativo e menos punitivo. A maioria das penas começam em apenas uma advertência, passando para 2 dias, 8 dias, 30 dias, 4 meses e depois permanente.
Seguindo esse padrão quando um jogador cometia alguma falta grave eu ficava de fato muito insatisfeito com essa mudança, eu como juiz queria mandar ele embora do servidor e no máximo ele ganhava uma advertência, ou 2 dias. Eu ficava literalmente esgotado, estressado e com a sensação de injustiça acontecendo, sem contar que o jogador que fazia a denúncia (geralmente de ofensa) sabia que o outro levou apenas uma advertência se sentia igualmente injustiçado. Porém fui ver as estatísticas e a “criminalidade” despencou absurdamente, raramente algum jogador não levava “na boa” a pena e mudava a postura. O número de reincidências caiu pra praticamente Zero. Com isso ganhamos uma comunidade maior pois menos jogadores foram banidos dela, e com jogadores mais dispostos a ajudar o servidor.
E o que acontece no virtual…
na realidade acontece igual. Na vida real sociedades que tem politica de tolerância baixa a criminalidade, que tem polícia agressiva, que tem pena de morte ou penas fortes tendem a trazer revolta entre a população carente e com problemas sociais os tornando verdadeiros criminosos, e criminosos em assassinos, e assassinos em psicopatas.
No geral, o juiz e a vítima ficam satisfeitos que o criminoso será punido mas na realidade a sociedade acaba sendo vítima de futuros criminosos. Apesar da sensação de bem estar a sociedade a cada dia fica mais “doente”e com o aumento dos crimes ela faz a única coisa que sabe fazer, aumentar a agressividade com os bandidos pegos. Porém o ciclo continua, um alimentando o outro.
Em sociedades onde a pena não tem objetivo de vingança, de justiça e sim de educar tende a tornar esses pequenos criminosos em pessoas normais, tende a fazer assassinos em pessoas curadas e arrependidas, e psicopatas enviados para unidades de tratamento e não para cadeira elétrica. Em sociedades assimo juiz, a polícia e a vítima ficam certamente esgotados, revoltados pois existe uma grande sensação de injustiça no ar mas assim como no virtual a criminalidade despenca mas isso não é somente eu que digo, segundo o criminólogo holandês Louk Hulsman:
“Até hoje ninguém conseguiu provar que o sistema penal protege as pessoas da violência. Também ninguém provou que ele é o único instrumento capaz de garantir tal proteção. ”
Não é de hoje que criminologistas apontam que os países que tornam-se menos truculentos tem a criminalidade diminuida, ou seja, quanto mais tolerante menor a criminalidade. Parece paradoxal mas se pensar do ponto de vista do criminoso, não o é. É comum para o bom cidadão pensar que o criminoso é uma pessoa diferente dele, mas imagine-se na pele de alguem altamente estressado que faz um deslize e comete um crime. Você se sente como? Se sente revoltado, sobretudo se for pego pois você jamais vai querer se comparar aos criminosos (para não dizer escória) e se o estado age com truculência você se revolta contra o sistema e tende a querer sua “vingança pessoal” e um novo criminoso nasce. Por outro lado se você comete um deslize se em vez de ser tratado como um criminoso for tratado como alguem que cometeu um deslize e ouvir e sofrer penalidades educativas, existe grandes chances de você se convencer de seu erro e fugir de próximos deslizes.
Enfim, se nada do que falo é novo, o que é realmente novo?
O VIRTUAL é claro, jamais talvez tenha se imaginado que sistemas penais podem ser testados em sistemas virtuais, pois se existe submerção e o jogador se projeta no mundo virtual crimes semelhantes aos reais acontecem lá dentro e as reações dos jogadores, dos que discumprem as leis podem ser estudados sem tanto perigo, gasto e desgaste. As leis, reincidencias, criminosos virtuais etc podem ser estudados no virtual e analisados o quanto uma pena pode ser agressiva para diminuir a criminalidade ou quanto pode aumentar para não ser ignorada a lei.
Para finalizar gostaria apenas de ressaltar duas coisas:
Primeiro que nenhum sistema penal funciona se não tiver um sistema de fiscalização presente, um sistema judicial justo, um sistema legislativo que crie as leis pensando nas pessoas e não em seus próprios interesses. Porém sabendo como funciona a lei e a reação da criminalidade à elas podemos sonhar em ter um mundo melhor ^^
Segundo que todo sistema tem que prever àquelas poucas pessoas que realmente não conseguem se adaptar à sociedade independente da quantidade de chances oferecidas, ou seja, nenhum sistema penal funciona se o indivíduo tem chances eternas, precisa ter um limite, pode até ser que cada infração a pena aumenta mas deve ter um progresso na penalidade para frear pessoas realmente “problema”. Para esses casos raros, quem tem pena se despena ^^