Um amigo (Corsa) mandou esta semana as imagens dos projetos dos novos estádios para a Copa em 2014 mas criticou:
“Realmente é de encher os olhos…
Mas será realmente justo gastar tanto dinheiro assim num país com tantas outras coisas mais importantes a serem feitas? ”
Outro amigo meu (Diego) lembrou :
“o retorno financeiro e social que a copa dará ao Brasil vale o custo. Não dá pra ficar com complexo de vira-lata pra sempre.”
De fato, não dá para ficar com este complexo para sempre mas era justificável antes do Lula, vi há algumas semanas algo na Veja que era mais ou menos assim:
“Agora passamos a ser ouvidos. Hoje somos nós que estamos dizendo o que o FMI tem que fazer, e não o contrário, como sempre ocorria.” – Lula fantasiando sobre as finanças
A Veja (quando disser Veja inclua também de brinde outras grandes empresas e jornais) adora sentar o pau, mas ele (o Lula) está correto e é isso mesmo. Se você não sabe é hora de aprender, o Brasil é o país que melhor se saiu na crise graças as viagens internacionais que (antes da crise) a Veja adorava meter o pau como se fosse ruim um presidente expandir os negócios da pátria. Sim, certo ele se gabar, afinal de contas o Brasil pagou a dívida com FMI que se arrastava há dezenas de mandatos e EMPRESTOU (virou credor!) 10 bilhões de dólares ao FMI. O mundo inteiro elogia o governo e o Brasil, o Lula foi considerado pela newsweek como o presidente mais popular do mundo. A popularidade dele não é afetada nem mesmo entre os chefes de estado, contrariando o que a Veja e muitos falavam antes dele ser eleito (ou ninguém se lembra das frases “nossa que vergonha, imagina quando o Lula abrir a boca lá fora, nossa que vergonha…”). O Obama que já citou o Lula como referência para a América Latina e nunca apertou a mão de um presidente com tanto entusiasmo.
Já o chefe do comite olímpico disse que ficou arrepiado com o discurso do Lula.
Era para os brasileiros finalmente terem orgulho de sua pátria, mas infelizmente por conta da mídia interna ainda temos esse complexo incrustado na veia. Até hoje quem não votou no Lula fica ressentido e não consegue apoiar e sentir o prazer de finalmente viver num país que praticamente todos os números indicam vitória, onde o salário mínimo pulou de 50 dólares para 167 (3 x mais!). E o número de carteira assinadas nunca aumentou tanto nos últimos 7 anos (lembram-se como vinha baixando o número de CLT ano após ano e até se falava em cancelar o sistema CLT? ). Recentemente busquei emprego e excetuando 1 entrevista, o resto era tudo regime CLT, isso nunca aconteceu no meu ramo.
O brasileiro não é um povo democrático, não sabe usar, não protege e não defende a democracia. Eu vi e aprendi muito sobre isto no servidor onde fui administrador durante 4 anos. Lá tudo que era decidido de forma democrática não funcionava, qual motivo? Orgulho. Se colocava-se 3 opções, opçãoA,opçãoB e opçãoC e opçãoA ganhava por 34% por exemplo os que votaram em opçãoB e opçãoC se somavam para criticar e tentar denigrir quem votou em opçãoA para que de fato não desse certo. Não deveria ser assim, não deveria funcionar assim, o correto era quem votou em opçãoB e opçãoC aceitarem que a maioria foi contra e somarem forças para fazer o opçãoA funcionar, independente das escolhas. Mas nós brasileiros preferimos sofrer um futuro catastrófico do que tentar fazer a coisa dar certa, apenas para no final dizer com o peito cheio de ar “eu disse que não daria certo”. Apesar disso e dessa atitude comum à todos os brasileiros o Lula fez dar certo, o Brasil não virou uma “Argentina” como previam, nem levou a falência, nem aumentou o número do desemprego, nem a inflação voltou, também não passamos “vergonha” internacional, nada abalou o Brasil nos últimos 7 anos.
Nem oito e nem oitenta. Apesar de grande entusiasta e fã do atual governo, ainda existem algumas ressalvas. Me lembro com rancor quando o governo federal privatizou a estrada BR-116 (SP-PR). Esta estrada vinha melhorando a olhos vistos nos últimos 15 anos (ou seja, também é mérito do FFHC) e quando boa parte já estava duplicada o governo resolveu privatizar. Ao menos o pedágio ficou pulverizado em 10 pedágios de baixo valor, totalizando menos de R$20,00 na viagem toda porém pagamos pela estrada e suas obras e quando finalmente estava feita, foi privatizada. O dinheiro pago em impostos irão voltar? Claro que não, nem ao menos irão baixar.
Para piorar logo depois da decisão da privatização a estrada foi abandonada e nenhuma manutenção foi feita durante quase seis meses e eu viajei nesse período de SP até PR. Buracos com 1m de profundidade e até 1m2 de tamanho eram comuns. Também eram comuns trincheiras de centenas de metros de comprimento por 30cm de largura e meio metro de profundidade.
O número de acidentes foi às alturas.
Para os que sofreram viajando este trecho, aos que perderam pessoas queridas nesta estrada durante este período talvez nenhum dado valha a pena.
Existem outros problemas, como a Reforma Agrária tão prometida e que jamais foi feita e a vergonha do abafamento do caso José Sarney que levou a absurda censura prévia do estadão.
As demais críticas eu jamais dei bola pois nunca vi nada que não havia em outros mandatos do FHC e anteriores (porém devidamente abafados). Até a queda dos aviões culparam o presidente, até achei incrível não culparem o Lula pela crise mundial. Mas isso vai acabar, em breve outro presidente entrará no poder e duvido que seja de esquerda. E se for, não terá nem 10% do carisma de Lula.
Eu mesmo sou um que farei de tudo para não votar no PT pois ao contrário do que muitos pensam eu não sou petista, eu gosto de atitudes sociais mas não sou petista e acho que trocas de poder entre a esquerda e direita apenas contribuem para o crescimento da democracia e da nação. Acho muito errado se criar raízes. Mas carrego o mesmo medo que a Veja tentou introduzir na classe média alta e classe alta antes do Lula: “O novo presidente estragará toda a obra que foi feita?”
Espero que não, e sinceramente, espero assim como milhões e milhões de brasileiros que depois de 4 anos de pausa o Lula esteja lá novamente, descansado e com novo gás. E quem sabe até lá o povo deixou para trás o complexo de pobre vira-latas.