As desventuras de um casal nérdico
Como identificar a violência
29 novembro 2009, por Maíra, às 15:00

Luluzinhas pelo fim da violência contra a mulherIdentificar a violência física é fácil. De um tapa a um espancamento, a agressão é nítida. O restante é mais complicado de se notar, mesmo quando se tem a informação. É difícil para qualquer pessoa aceitar que está saindo do grupo de “pessoas normais” e entrando para as terríveis estatísticas da violência. O mal está sempre no outro. É preciso se diferenciar bem desse grupo.

Em nossas discussões sobre o tema no último LuluzinhaCampSP, mais de uma lulu lembrou de histórias de violência muito próximas, entre mulheres bem formadas e bem informadas. Mas elas simplesmente não entendiam que estavam sofrendo uma violência.

É difícil aceitar que, na verdade, o mal está em todos nós, humanos. Aceitar, no entanto, não significa se submeter. Mas é importante entender e aceitar para admitir que algo errado está acontecendo e tomar uma atitude, não deixar que a situação de violência se prolongue ou piore.

A Letícia também nos ajudou com uma listinha para identificar quando você é a vítima da violência – ou alguém próximo. Serve também para homens lerem e fazerem uma reflexão sobre o próprio comportamento. Confere só:

Como saber se você está correndo risco?

  • Você começa a ter medo de ficar sozinha com seu marido/companheiro. Sente-se acuada, isolada.
  • Você já não suporta mais viver nas condições em que vive, sempre pensa: Dá próxima vez é ele ou eu…
  • As agressões estão ficando cada vez mais graves e freqüentes.
  • Durante as brigas ele parece estar ficando cada vez mais sem controle.
  • O agressor faz questão de te contar que tem uma arma, e sempre que tem oportunidade faz questão de mostra-la a você.
  • Desconfia de suas atitudes todo o tempo, te segue, liga para seu trabalho insistentemente, parece vigia-la todo o tempo.
  • Destrói seus objetos pessoais: roupas, fotos, documento, móveis.
  • Maltrata ou mata seus animais de estimação.
  • Ele tem envolvimento com criminosos e ameaça dizendo que tem quem faça o serviço sujo por ele.
  • Quando você decide romper a relação e separa-se ele não respeita, telefona de forma insistente, vai até a porta de sua casa, seu trabalho, faz escândalo, ameaça todas as pessoas.

É lei!
27 novembro 2009, por Maíra, às 15:00

Luluzinhas pelo fim da violência contra a mulherGraças à Maria da Penha, o Brasil tem uma definição – em lei – do que é a violência contra a mulher.

A Lei Maria da Penha (Lei 11.340, de 7 de agosto de 2006) assim define a violência doméstica e familiar contra as mulheres:

Art. 5o  Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial:

I – no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas;

II – no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa;

III – em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação.

Parágrafo único.  As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual.

Graças a essa lei, o país tem, cada vez mais, acesso a números e informações concretas sobre o assunto, já que tem aumentado o número de mulheres que autodeclaram ter sofrido violência doméstica e/ou familiar. Sabe-se, por exemplo, que:

  • Violência física é o tipo mais citado (51%), sendo praticada predominantemente por quem mantém relação de proximidade com a vítima: 81% são maridos, companheiros ou namorados. E 70% das mulheres já não mais convivem com os agressores. (DataSenado, 2009)
  • Em 2008, aproximadamente 113 mulheres sofreram ameaça por dia no estado do RJ. As mulheres continuam sendo as maiores vítimas dos crimes de atentado violento ao pudor (70,7%), ameaça (63,9%) e lesão corporal dolosa (62,3%). Tais delitos ocorreram em sua maioria no espaço doméstico de convívio e no âmbito familiar. Números do Dossiê Mulher, Instituto de Segurança Pública do RJ, 2009.
  • 39% dos que conhecem uma vítima de violência tomaram alguma atitude de colaboração com a mulher agredida (Instituto Avon/IBOPE, 2009).
  • A cada 15 segundos uma mulher é espancada pelo marido ou companheiro no Brasil (Fundação Perseu Abramo, 2002).

Para saber mais, consulte o site da Campanha, que está recheado de informações sobre o tema.

A Letícia nos ajudou, esmiuçando o que a Lei Maria da Penha quer dizer, bem na prática. É importante ler com atenção, pois é muito comum pensarmos a violência contra a mulher apenas como física. Afinal, essa ainda é sempre a mais gritante, a mais fácil de identificar. Mas muitas outras formas de violência ocorrem todos os dias, sob nossos narizes. Confere só:

Principais manifestações da violência contra as mulheres

Segundo a Lei Maria da Penha, a violência contra as mulheres pode se manifestar das seguintes formas:

  • Violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal;
  • Violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação;
  • Violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos;
  • Violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;
  • Violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.

Espaços relacionais onde a violência ocorre

Além dos tipos de violência (física, sexual, psicológica e patrimonial), outro critério de classificação é o espaço relacional onde ocorrem:

  • A violência doméstica contra mulheres é aquela praticada dentro do lar (ou no espaço simbólico representado pelo lar). Fundamenta-se em relações interpessoais de desigualdade e de poder entre mulheres e homens ligados por vínculos consangüíneos, de afetividade, de afinidade ou de amizade. O agressor se vale da condição privilegiada de uma relação de casamento, convívio, confiança, amizade, namoro, intimidade, privacidade que tenha ou tenha tido com a vítima.
  • Na violência no trabalho, o agressor é o patrão ou chefe que usa de sua relação de poder hierárquico de chefia para obrigar a funcionária a manter com ele relações independentes de seu desejo.
  • A violência institucional é a praticada nas instituições prestadoras de serviços públicos, como hospitais, postos de saúde, escolas, delegacias, judiciário. É perpetrada por agentes que deveriam proteger as mulheres vítimas de violência, garantindo-lhes uma atenção humanizada, preventiva e também reparadora de danos.

Todos esses  tipos de violência são absurdos em si, seja contra mulheres seja contra homens. Mas não custa lembrar que – infelizmente – os números e os fatos ainda trabalham contra a igualdade.

A Lei Maria da Penha é recente, de agosto de 2006. Também recentes são algumas mudanças na lei que a Let lembrou no último LuluzinhaCampSP. Até não muito tempo atrás, o homem podia devolver uma mulher se constatasse, após o casamento, que ela não fosse virgem. E outros absurdos. Que seriam menos absurdos se não fossem até pouco tempo ainda aplicados por juízes pelo país. Recentes são os crimes “de legítima defesa da honra”. Lembro de já ter lido, na revista Época, diversas matérias sobre o assunto. Uma delas, da Solange Azevedo é deste ano. Outra, da Paloma Cotes mostra como os caras se livravam de uma pena com essa alegação. Valem a leitura.

É preciso estar atento e engrossar aquele número ali de 39% que tomam alguma atitude de colaboração com a vítima frente a uma agressão.


16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher
25 novembro 2009, por Maíra, às 17:21

Luluzinhas pelo fim da violência contra a mulherHoje começam os 16 dias de blogagem coletiva “Uma vida sem violência é um direito das mulheres”. Esté é o slogan adotado no Brasil pela campanha “16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres”, realizada desde 1991, em aproximadamente 130 países. O objetivo da campanha é “estabelecer um elo simbólico entre violência contra as mulheres e direitos humanos, enfatizando o fortalecimento da auto-estima da mulher e seu empoderamento como condições para sair das situações de violência”. E as meninas do LuluzinhaCamp, é claro, aderiram.

Os 16 dias de ativismo são marcados por quatro datas-chave:

25 de novembro – dia internacional da Não-Violência contra as mulheres
A data é uma homenagem às irmãs Mirabal, conhecidas também como “Las Mariposas”. As três, Minerva, Pátria e Maria Tereza, opuseram-se francamente à ditadura de Rafael Trujillo, na República Dominicana, e foram brutalmente assassinadas em 25 de novembro de 1960. A história foi contada no livro No Tempo das Borboletas, que virou filme com a Salma Hayek. Não li um nem assisti ao outro, mas soube da história delas quando pesquisava para uma matéria sobre Johnny Abbés García, que era quem botava a mão na massa nas maiores barbaridades cometidas por uma das ditaduras mais sangrentas da América Latina. No livro de Llosa, A Festa do Bode, ele é retratado de maneira bem caricata. Porém, não muito longe da realidade, segundo me contou o professor Sergio Guerra, diretor do Departamento de História da Universidad de Havana, que assim se referiu a Abbés: “Fue el jefe de la inteligencia del dictador Trujillo. Una figura tenebrosa, pues se le responsabiliza con crimenes. (…) Si el libro de Vargas Llosa es una novela, pero en el caso de este personaje se apega bastanet a la realidad”. Foi Abbés-García quem planejou o cruel assassinato das irmãs Mirabal.

01 de dezembro – Dia Mundial do Combate à Aids
Como bem lembrou a Let no LuluzinhaCampSP, esse é um assunto especialmente ligado à violência feminina quando lembramos que ser mulher, monogâmica e viver em uma relação hetero estável é um fator de risco para a Aids. É triste pensar que não são poucas as mulheres que vivem relações marcadas pela violência cotidiana e se encontram em uma situação que as impedem de negociar o sexo seguro ou mesmo esperar o mínimo de respeito do companheiro.

06 de dezembro – Massacre de Mulheres de Montreal
Nesta data, um estudante entrou armado na escola politécnica da Universidade de Montreal e começou a disparar gritando que queria “apenas as mulheres”, as “feministas”. O saldo de catorze estudantes assassinadas tornou-se um símbolo, uma representação trágica da injustiça praticada contra as mulheres e inspirou a criação da Campanha do Laço Branco – Homens pelo Fim da Violência Contra a Mulher, que tem por objetivo sensibilizar, envolver e mobilizar os homens no engajamento pelo fim da violência contra as mulheres.

10 de dezembro – Dia Internacional dos Direitos Humanos
A data celebra a adoção em 1948, pela Organização das Nações Unidas (ONU), da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), código ético e político do século XX voltado à proteção dos direitos fundamentais. A Declaração nasce em resposta à barbárie praticada pelo nazismo em face de judeus, comunistas, homossexuais e ciganos e ainda às bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos da América sobre Hiroshima e Nagazaki, matando milhares de civis. Os 16 dias de ativismo encerram neste dia, para lembrar que o respeito à mulher é, antes de tudo, o respeito aos Direitos Humanos.

Nos próximos dias, este blog trará outras informações importantes sobre o tema. Fique atento e participe também da Campanha.

Campanha 16 DiasEspero ter tempo de reunir alguns dados relevantes, especialmente para quem acredita que a era do feminismo já passou, que hoje a mulher já é emancipada, e que esse papo todo devia ter ficado lá nos anos 60. Infelizmente, os números e os fatos ainda trabalham contra esse pensamento. É preciso estar atento e forte.

Obs.: Agradeço à Letícia Massula por fornecer um montão de informações importantes sobre a campanha e sobre o tema, que descaradamente utilizei aqui e o farei nos próximos posts. Obrigada, Let!


Normalização em Banco de Dados
11 novembro 2009, por Edson, às 15:00

Introdução


Nos dias de hoje é praticamente impossível pensar num sistema grande sem pensar em banco de dados. Banco de Dados é o lugar onde se efetua a persistência das informações de modo a serem salvas e resgatadas quando necessário.
Porém você pode realizar isto de uma forma boa ou ruim e para isto foram criados definições de quão bem modelado está seu banco de dados. Lembrando apenas que, bem modelado não necessariamente vai ter uma boa performance.

Objetivo:

Sempre achei muito complicado a abordagem dos livros sobre banco de dados, abaixo tentarei abordar o tema com linguajar menos técnico e com exemplos práticos. Como tive que estudar normalização recentemente, vou explicar como você pode identificar e normalizar seu BD para pelo menos obedecer a 3ª Forma Normal, que geralmente é a que já tem um custo benefício bem proveitoso, a partir de uma tabela totalmente “zuada” incorreta até uma estrutura aceitável.

Não normalizado

Se falamos que vamos normalizar uma tabela, podemos começar por uma “tabela” não normalizada. E acreditem, todo profissional de TI vai encontrar situações como abaixo ao menos algumas vezes na vida.

Imagine um sistema onde os dados são guardados no formato texto da seguinte forma:

Figura-1

Como podem ver o nome da tabela não significa nada, o campo também não e dentro do campo todos os valores necessários estão na forma de texto.
Para piorar
Uma tabela assim (se é que pode se chamar de tabela), por vários motivos não está normalizada nem na forma normal 1.

1ª Forma Normal

O primeiro passo para colocar na forma normal, é criar uma tabela de verdade, com colunas e linhas. Veja abaixo:
2

Porém para estar na, 1ª Forma Normal, ainda é necessário não ter campos multi-valorados, ou seja, não pode ter um campo com vários valores (como ocorre com o campo notas). Para resolver isto deve-ser feito assim:
3

2ª Forma Normal

Para você ter uma tabela na 2ª FN obviamente ela precia estar pelo menos na 1ª FN. A partir daí você deve ter reparado que a tabela não tem apenas um assunto (entidade) mas dois (ou três), ela mistura tanto notas quanto alunos.
Para resolver isto precisamos criar uma segunda tabela e modificar a primeria. Veja abaixo:
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Reparem que você ainda tem todos os dados, pois para saber de que aluno a nota pertence você percorre a outra tabela pelo código dele. De modo que a apesar de termos reduzido a chance de causar uma falha de integridade; e também termos reduzido drásticamente a quantidade de informação armazenada, todas as informações ainda foram preservadas.

3ª Forma Normal

Agora podemos ver que a estrutura já está bem melhor do que no início, mas ainda falta coisa a se fazer:
Para você ter uma tabela na 3ª FN você antes de mais nada tem que estar na 2ª forma normal. Além disto não pode ter campos que possam ser formado a partir dos demais cmapos já existentes (ou seja, campos calculados)pois a regra é de que campos calculados não sejam armazenados, pois se você alterar um campo estará comprometendo a integridade do 2o. Para tanto o campo Média deve ser excluído e a tabela de alunos deve então ficar da seguinte forma:
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3ª Forma Normal Boiyce Code (BCNF)

Existe uma proposta de uma extensão da 3ªFN que é chamada de BCNF. Como se trata de uma extensão, para estar em BCNF precisa estar na 3ªFN (o oposto não é verdadeiro).
Imagine a situação que você tem a seguinte tabela (fora as que já usamos):
7

O primeiro campo é o código do aluno, o segundo é a versão da carteirinha (uma vez que o aluno pode gerar mais de uma carteirinha quando perde a anterior) e o terceiro campo é o código de acesso da catraca.

Se reparar os campos CodAluno e Acesso poderiam facilmente serem juntos a chave primária. Porém existe uma regra de negócio que, nunca terá duas versões de carteirinha para o mesmo aluno, pois ele sempre considera a última carteirinha como válida. Então temos uma situação de que um dos campos (versão da carteirinha) é dependente do código do aluno (uma das chaves) mas não de AcessoCatraca.

Sempre que um campo depende de uma das chaves mas não das demais ele falha na 3a FN BCNF. Para resolver esse problema podemos passar para a BCNF da seguinte maneira:
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Reparem que o campo de versão da carteirinha passou para a tabela de aluno. Caso existissem outras informações sobre a carteirinha como data de expeidição, ela poderia então até ocupar uma tabela própria.

Conclusão:

Futuramente ainda falarei de outras FN, mas estas são as principais.
Como puderam ver quanto mais normalizado estiver seu database:
*menor será a chance dele ser comprometido por uma informação incorreta
*Mais otimizado para consultas e alterações ele será (ao menos até a 3ª FN esta afirmação é verdadeira)
*Além de economizar HD (ao menos até a 3ª FN esta afirmação é verdadeira).

A partir da 4ª FN começa a depender de quão otimizado é sua engine de banco de dados, e o ganho em Integridade Vs Trabalho começa a decair exponencialmente mas pretendo abordar futuramente todas as demais formas normais já identificadas.


Nos muros de Sampa…
9 novembro 2009, por Maíra, às 19:00

… passeiam as mulheres de Jupix.

mulher 1Em tempos de histórias bizarras como a expulsão de uma mulher da universidade por agir de forma “provocativa” usando um vestido curto (em tempo, acabo de ler que a universidade recuou da decisão)… é uma delícia ver as mulheres livres, leves e soltas que jupix colocou para passear em um muro da travessa Tim Maia, em São Paulo.

Foi seu primeiro desenho na rua. Em e-mail para os amigos, ela contou que foi emocionante. As pessoas passavam, às vezes interagiam. E o desenho foi sendo descoberto ali, enquanto era feito. “Eu não tinha ideia da proporcão do desenho no muro, tanto q a mulher com os bichos eu acabei tendo q subir em cima de um banquinho e esticar o meu braco no talo, pra conseguir desenhar pescoco, romulher 2sto e cabelo, ou seja, ela ficou com uns 2m50 de altura. A outra mulher, q eu desenhei em segundo lugar, ficou com a minha altura, tipo, 1m65″.

Gostoso de ler, não?

Jupix é também a artista que assina as ilustrações do livro de haicaisOutras Nuvens“, de Carol Ribeiro (Auana Editora). O lançamento foi em uma gostosa noite de junho, na Livraria da Vila – rolou até um sarau, que infelizmente eu perdi. jupix-haikai-1-4Seus desenhos casam em linda harmonia com os versos concisos e objetivos de um hai cai e estavam expostos na livraria.

Na ocasião, jupix aproveitou para divulgar sua nova empreitada. Seus desenhos estão à venda em uma loja online, chamada Etsy. A escolha não foi por acaso. Ela me contou que o site tem o mesmo espírito da Vila Madalena, o bairro onde mora, onde suas mulheres passeiam pelos muros, onde o livro foi lançado. Confere lá. Os desenhos podem ser impressos e enviados pelo correio – por enquanto, com frete gratuito para qualquer país!Compra lá!

jupix-haikai-5-8Jupix também mantém um delicioso blog, onde é possível conferir outros traços. É certo que ele anda meio abandonado, o que é uma pena. Mas seus posts são atemporais.

Jupix foi quem nos ensinou a ouvir Björk, nos presenteando com uma deliciosa cópia de Gling-Gló, que é um absurdo de tão bom.

Jupix é assim. É essa pessoa que aparece em nossas vidas de tempos em tempos para nos (re)lembrar de que sonhar é preciso, de que não se perder é preciso.