Apenas vejam, muito bom. A animação é de um brazuca.
Dica recebida pela twittada do fabiociccone que pegou a dica com o jovem nerd.
Muitas são as histórias em quadrinhos sobre guerreiros, magos e dragões, mas em poucas você tem a oportunidade de poder ler todas as tiras no site do autor. Magias & Barbaridades (M&B) é uma destas surpresas agradáveis que raramente ocorrem na internet. Criação do brasileiro Fabio Ciccone que o Taulukko teve a oportunidade de entrevistar. Leia a entrevista e saiba mais sobre M&B no taulukko.
Aproveitei esses dias entre Natal e Ano novo em Campinas e Curitiba para terminar de ler O Tigre Branco. O livro, do escritor indiano Aravind Adiga, foi vencedor do Man Booker Prize 2008 e chegou aqui em casa graças a uma promoção feita no grupo de discussão das luluzinhas (as meninas que foram ao LuluzinhaCamp).
A Ediouro enviou alguns livros pra gente ler e resenhar em nossos blogs. Escolhi este, da Editora Nova Fronteira, e outro da editora Desiderata, Aconteceu na Manchete, que logo ganha resenha aqui também.
Enfim, vamos ao livro. A história é contada por um jovem indiano, Balram Halwai, filho de um condutor de riquixá, que passa por cima do sistema de castas e sobe na vida, ainda que de um jeito meio torto: matando o seu patrão.
É quase como na música do Chico Buarque, O Meu Guri. Uma das diferenças é que lá, quem se orgulha desse caminho tortuoso para o “sucesso”, não é a mãe, mas só o próprio “guri”. A diferença maior é o significado dessa trama dentro da cultura contemporânea daquele país, uma Índia que se moderniza em cima de bases sociais tão tradicionais.
Quando Balram, o “tigre branco” (ele conta no livro o motivo do apelido), conta sua história em cartas destinadas ao primeiro-ministro chinês, que está prestes a visitar a Índia, não narra só sua ascenção na sociedade indiana, mas destrincha todo o complexo funcionamento daquela sociedade. Assim, O Tigre Branco é um livro escrito para os estrangeiros compreenderem a Gaiola dos Galos, como ele chama a sociedade indiana.
Como tempero, fica o tom irônico das cartas, em uma linguagem que o escritor deu ao personagem graças às suas andanças pelo país, segundou contou em entrevistas. Vale ler a que saiu no Estadão.
Quer também uma “palhinha”? Leia por conta e risco. ^^
“A coisa mais importante que se inventou neste país, nos seus dez mil anos de história, foi a Gaiola dos Galos. Vá à Velha Déli, atrás da mesquita de Jama Masjid, para ver como as aves são exibidas no mercado. São centenas de galinhas pálidas e galos de cores brilhantes, todos enfurnados em gaiolas de teia de arame, apertados ali dentro como vermes numa barriga, bicando uns aos outros, cagando uns nos outros, brigando só para arranjar um espaço para respirar. A gaiola tem um fedor impressionante, um fedor de carne emplumada e apavorada. Num balcão de madeira, por cima dessa gaiola, fica um jovem açougueiro sorridente, exibindo a carne e os órgãos de uma galinha recém-abatida, tudo ainda reluzente sob uma camada de sangue escuro. Os galos que estão na gaiola sentem o cheiro de sangue que vem do alto. Vêem os órgãos dos irmãos ao seu redor. Sabem que serão os próximos. Mesmo assim, não se rebelam. Não tentam escapar da gaiola. É exatamente a mesma coisa que se faz com os seres humanos neste país.
Todo dia, pelas ruas de Déli, um motorista vai dirigindo um carro vazio, com uma maleta preta instalada no banco de trás. Dentro dessa maleta, há um ou dois milhões de rupias; mais do que ele vai ver durante a vida toda. (…) Mesmo assim, ele leva a maleta preta para onde o patrão mandou. Deixa ela onde deve deixar, e jamais pega uma rupia. Por quê?
Porque os indianos são o povo mais honesto do mundo, como informa o panfleto que nosso primeiro-ministro vai lhe dar? Não. É porque noventa e nove vírgula nove por cento de nós estamos presos na Gaiola dos Galos, exatamente como aqueles pobres coitados lá no mercado.
(…) A confiabilidade dos empregados é a base de toda a economia da Índia. A Grande Gaiola dos Galos indiana. Vocês têm alguma coisa parecida aí na China? Duvido muito, Mr. Jiabao. Porque, se tivessem, não precisariam do Partido Comunista para sair atirando nas pessoas e de uma polícia secreta para invadir as casas durante a noite e levar todo mundo preso, como ouvi dizer que vocês fazem.”
A explicação sobre o motivo dessa gaiola funcionar, sugiro ler no livro.
Recebi a dica agorinha pelo Twitter de que uma série de tirinhas do Laerte está toda num blog. Ainda estou lendo, mas já segue o link: Manual do Minotauro.
Descobri hoje – provavelmente com o twitt de alguém que não lembro quem – que um dos meus escritores favoritos tem um blog. De quebra, descobri também que vem livro novo por aí, em um texto assinado por sua mulher, a Pilar. E, aqui, o resgate de um lindo texto sobre Lisboa.
Eu já nei sei qual foi o primeiríssimo texto de Saramago que li, porque logo depois do primeiro emendei a leitura de quantos livros pude encontrar. O Evangelho Segundo Jesus Cristo, Todos os Nomes, Ensaio sobre a Cegueira, A Caverna, A Jangada de Pedra, O Homem Duplicado, uns meus, outros devidamente emprestados do meu pai. E ainda falta ler tantos outros, Levantado do Chão, O Ano da Morte de Ricardo Reis…
Mas certamente o que mais me emocionou foi o Memorial do Convento. Lido por obrigação para o vestibular, virou um prazer. A pontuação estranha e páragrafos que ocupavam páginas e assustavam os outros alunos me embalaram na leitura de tal forma que emendei dias seguidos de férias absolutamente mergulhada na história de Baltasar e Blimunda. Foi uma das poucas leituras que me fizeram chorar ao final de pura saudade dos personagens.
Uma vez, ele veio ao Brasil para lançar algum dos livros e eu adiantei uma viagem a Curitiba para assistir à sua palestra. O autógrafo não rolou, pois acabei perdendo a fila. Mas valeu a pena mesmo assim. Depois descobri suas entrevistas e me apeguei ainda mais a esse comunista que mostra que a esquerda não é coisa que fica nos 20 anos de idade.
Pois é. Desde que passei a trabalhar em casa, consegui voltar a ler alguns livros que estavam naquela pilha da leitura em looping infinita. Aqueles que eu começava, mas por ler muito picadinho acabava perdendo o fio da meada e tinha que começar tudo de novo, sabe?
Eis que parei de perder tempo no trânsito de São Paulo e essas preciosas horinhas estão sendo muito bem gastas com um café da manhã decente, alguns minutos a mais navegando e também com algumas páginas de leituras atrasadas. Segue um mísero relatório de pequenas vitórias literárias (Yay!).
Hoje já posso dizer que, sim, eu li de cabo a rabo:
Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski – Inspiração para filmes do Woody Allen, que eu adoro, e outras várias obras, este já estava na minha fila desde o colégio. Juro. Na época, eu tentei ler no ônibus, o que foi uma péssima idéia. Primeiro porque qualquer distração tira todo o clima da história, que é tenso. Segundo porque sou uma maria gasolina e morro de sono em ônibus.
Grande Sertão Veredas, de João Guimarães Rosa – Este comecei a ler na faculdade, incentivada pelas aulas de literatura do professor Ivan Teixeira. Avancei até umas boas dezenas de páginas. Mais tarde, voltei a tentar ler quando fui à ótima exposição que rolou sobre a obra no Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz. Lá, a gente podia ler o original todo rabiscado por Rosa, em um curioso esquema de puxar as páginas com barbantes, como se fosse um daqueles varais de apartamento. O problema é que eu não queria estragar a leitura, então acabei aproveitando menos do que poderia. Quando fui tentar seguir a leitura, já tinha perdido completamente o rumo da prosa. Só agora consegui ler tudo de cabo a rabo e ainda senti a maior falta quando chegou o final.
Um retrato do artista quando jovem, de James Joyce – Esse veio junto com um dos fura fila ali debaixo. Quando terminei o “Histórias…”, me toquei que nunca tinha lido nada de Joyce e encontrei este na estante. Foi uma ótima seqüência, aliás. Li em português, na edição da Alfaguara, o que deve ser um crime para quem estuda a obra do autor. Mas acho que aproveitei melhor. Viro-me bem com o inglês, mas acho que não o suficiente para apreciar bons jogos de palavras, como no português.
O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde – Já tinha lido tanta analogia com o livro, usado para tanta coisa nada a ver, que desconfiei que muita gente fazia analoria por aí mesmo sem ter lido o livro. Antes de fazer o mesmo, fui lá dar uma espiada e li todinho. E confirmei minha suspeita. O quadro é quase uma maldição para o jovem e não algo que ele criou conscientemente para se manter mais jovem. Foi um desejo dele, sim. Mas o quadro em si não foi uma criação sua. Não com plena consciência, ao menos.Furaram a fila:
Travessia de Verão, de Truman Capote – Enquanto não tomo fôlego para ler “A sangue frio”, este estava dando sopa na minha estante e furou a fila. Um dos primeiros romances do autor, foi um dos últimos a serem publicados. Isso porque ele ficou perdido entre as caixas que Capote deixou para o lixo quando saiu de seu apartamento no Brooklin. O zelador guardou tudo por 40 anos, até que um parente decidiu ver o que tinha por ali. O texto é uma delícia. Com uma história aparentemente despretenciosa, já traz muito do estilo que marcou Capote. Pronto, já tenho um aperitivo. Agora é enfrentar o prato principal.
Na Prisão, de Kazuichi Hanawa – Em forma de mangá, o autor conta como foi passar uma temporada na prisão. O legal do livro é conhecer o funcionamento de uma prisão japonesa, que Hanawa descreve e desenha nos mínimos detalhes – tudo de memória, porque não se podia desenhar por lá. Se você se acha metódico, leia. O livro foi uma indicação do Laerte (história alguns posts abaixo, aqui). Comprei quando fomos à FestComix, bem ao nosso estilo. Chegamos na última hora do evento e tivemos que ver tudo meio correndo. O que foi bom, porque pagamos metade da entrada e pudemos gastar sem culpa na edição conjunta dos três primeiros números da Cão (com desenhos da Rafaella Ryon), no mangá e em uma aventura de RPG para o Edson. Yay!
Histórias de Literatura e Cegueira, de Julián Fuks – São deliciosos textos sobre a relação entre a literatura e a cegueira de três escritores: Borges, João Cabral e Joyce. Julián é autor também de um também ótimo livro de pequenos contos, “Fragmentos de Alberto, Ulisses, Carolina e Eu”. Eu tinha lido uma parte de “História…” antes de ir ao lançamento, já que tinha recebido um exemplar na revista. Mas só pude mesmo terminar com a calma e a atenção que o livro merece este ano. Julián é também colega de faculdade (nossa turma tem o apelido de Filhos de Julián) e isso me dá um orgulho tremendo. É mesmo uma turma cheia de gente muito especial. Desafio do momento:
Ainda estão na fila:
Encontre na Livraria Cultura:
A indústria de games e cinema sempre tentou fazer imagens feitas por computador que parecessem reais. Até esse ano o máximo que conseguiram foi o Bewolf, ou Gollum do Senhor dos Anéis. Você se acostuma, mas os personagens ainda parecem serem feitos de borracha. Isso acontece porque para fazer os personagens os produtores capturam as movimentações com sensores e passam via software para seus modelos 3D, o problema é que uma pessoa tem mais de 650 músculos no corpo e é impossível capturar cada um deles com sensores, ou era….
A empresa Image Metrics (IM) mudou esse conceito, a IM faz o ator atuar para uma câmera e a câmera é o sensor. A magia toda está em um robusto software que analisa o filme e captura as movimentações de todos os músculos em diferentes situações e transporta para o modelo 3D, o resultado? Impressionante! Os primeiros modelos 3D utilizando esta técnica já estão no Youtube e não tem como perceber que são 3D, fantástico! Anotem o que eu digo, temos uma divisão de águas na indústria de animações 3D.
Meus agredecimentos a Rê que postou no Bombou na Web. Segue abaixo a Emily:
Mulher já tem fama de falar demais, imagina só se elas não iam ocupar a blogosfera, não?
Pois fazem com estilo. No sábado, rolou um encontrão de mulheres blogueiras, o LuluzinhaCamp.
Eu, que nem ia, entrei para a lista de discussão do evento, dei idéia para um mural dos blogs, decidi levar um doce, filmar tudo e ainda me ofereci para dar carona para a Beth. E, claro, perdi a hora de manhã. Típico.
O Edson, claro, não perdeu a chance de tirar uma com a minha cara logo que me viu correndo de um lado para o outro da casa para terminar de me arrumar recolher tudo o que deveria levar. Puto! rs.
Mas, no final, deu tudo certo e o evento foi ótimo. Incrível mesmo.
O evento era de blogueiras, então era de se esperar que fossem todas super conectadas. Ainda assim me surpreendi. Acho que tinha mais máquinas fotográficas/celulares/notebooks/palms/mini-notes/blackbarry e afins do que mulheres no lugar. rs.
Aí você pensa que isso não vai dar certo, porque acaba ficando todo mundo conectado na internet e não interage. Que nada. São mulheres, né? Elas conseguem twitar, blogar, postar e se comunicar com todas as muitas mulheres que estavam por lá. E ainda fazer sorteio e participar das rodas de discussão. Tudo ao mesmo tempo, claro. Somos mesmo especialistas nisso. Acabei que me empolguei com o twitter e aderi.
As rodas também estavam um barato. Uma hora, alguém me perguntou se a roda que estava formada era das mamães, porque tinha um nenê maravilhoso presente, o Uli. Que nada, ali era a roda da moda. E lá na sala das manicures é que o assunto mamãe estava rolando. Falamos também de fotografia, de bichos e outras cossitas.
Tinha também bazar, claro. E eu passei longe, porque o corte de gastos agora é total até que nossa casa fique pronta. Mas, ai, que coisas lindas que tinha lá!! No sorteio, ganhei lindos e ultracheirosos sabonefeeds.
E, na saída, o filé. A festa foi invadida! Já está tudo no Flickr, claro. Veja lá!
A
ssistimos também, esta semana, a outro anime, Serial Experiments Lain.
A série é curta, com 13 episódios, e é de 1998. Pense no impacto da presença da internet há dez anos e em todas as discussões que surgiram naquela época.
Os limites cada vez mais finos entre realidade e virtualidade, as definições de memória, as múltiplas personalidades que assumimos na vida e na internet, a conexão e o afastamento da humanidade através da rede etc. Junte ainda algumas teorias da conspiração a respeito de controle da mente através da internet ou mesmo de ondas eletromagnéticas da Terra.
Está tudo no anime, em uma história bem intrincada, cheia de efeitos e, em vários momentos, assustadora. As cenas são cheias de referências a teorias e informações altamente nérdicas que rendem vários níveis de interpretação. Vale a pena para quem não se importa com finais que não necessariamente explicam tudo… O Edson fica muito irritado com isso. rs. Eu não ligo e até gostei da série. Só que, depois de tantos anos de internet, depois de matrix, depois de aulas de semiótica na faculdade, e mais as aulas de pós-modernidade da minha mãe… tudo parece um repeteco, hoje, dez anos depois. Não que a questão esteja esgotada, mas deve ter perdido bastante do impacto da época em que foi lançada.
Quando alguém vê um pássaro voando nos céus, dizem que sente-se vontade de sair numa viagem…
Há alguns dias terminamos de assistir mais um anime muito bom, chamado Kino no Tabi. A série é curta, tem apenas 13 episódios e conta a história de Kino, uma viajante que anda pelo mundo com seu “motoroad” falante, o Hermes.
O mundo, nesse anime, tem uma série de “cidades-estado”, um bem distante e diferente do outro. Em um, por exemplo, as pessoas desenvolveram tanto a tecnologia, que não precisam mais trabalhar. Em outro, as pessoas viviam em busca do melhor jeito de parar de guerrear com o país vizinho, em outro…
Poderia ser uma seqüencia de liçõezinhas de moral bobas. Mas, não. Kino passa pelos lugares como uma viajante mesmo, com profundo respeito e neutralidade pelo modo de vida de cada um, impondo-se o limite de ficar apenas três dias em cada lugar. Às vezes, parece até frieza. Mas não é tão simples. E é bom viajar com ela.
Kino raramente interfere em um modo de viver local, e seu senso de justiça e bondade ou maldade é único. Aqui em casa, rendeu altas discussões sobre tendência de personagem em RPG rs. Mas também belas reflexões sobre a vida.
Falta agora assistir aos OVAs. Vamos ver se mantêm a qualidade.