Fiquei sabendo, de surpresa, pelo Twitter, que o Sesc estava com uma promoção para concorrer a ingressos para ver o Coral da Osesp no Sesc Vila Mariana. Entrei no site, me inscrevi e, plim!, fui assistir! A apresentação foi abertura do 43º Festival Música Nova – que vai até o dia 4 de outubro, aproveitem – e teve regência da maestrina Naomi Munakata, uma japa muito simpática, que mudou o programa na hora e comentou cada música antes de apresentar.
Bom, agora já dei a dica, posso contar o motivo do post. Chegamos cedo e fomos tomar um café na lanchonete do Sesc, que tem a melhor tortinha de frango ever. Uma delícia. Quando olho na mesa do lado, eis que reconheço um nariz. Pensei: pô, esse cara parece o Laerte. Já no teatro, ele se senta na minha frente e ouço pelos comentários que era ele mesmo.
Como eu tive que me segurar para não fazer um momento tietagem ali mesmo, faço aqui. Blogs também devem servir para isso, né?
Pois bem. É que leio Laerte desde criancinha, graças ao meu pai, que deixava eu ler todas as Chicletes com Banana & Cia que ele comprava. Eu não entendia patavinas de boa parte das piadas mais políticas e sexuais, mas devorava. De lá para cá, volta e meia ainda releio algumas lá na casa dele – onde ele mantém uma linda coleção.
Mas não foi só essa a “intromissão” dele na nossa vida. Na parede do escritório, meu pai tem uma das melhores tirinhas dos gatos, em um quadrinho (veja foto). Ela faz time com outras maravilhas em tiras do Calvin, Rê Bordosa, Graúna…
A descoberta da internet para o meu pai passou pelas tirinhas de Laerte. Eu e meu pai passamos boas horas na frente do pc quando descobrimos que o Laerte tinha um site. E, caramba, lá podíamos ler váaarias tirinhas em seqüência, sem ter que esperar o jornal. E ainda era possível trocar as favoritas por e-mail.
Na faculdade, descobri que ele tinha sido também um ecano. Alguns anos depois, foram lançados os três livros de Deus Segundo Laerte, que viraram presente-padrão-sem erro-para todas as ocasiões. Infelizmente não era muito fácil de encontrar e, em várias livrarias, me jogavam para o setor dos livros religiosos ou de auto-ajuda (!). Mas fui salva por encomendas super eficientes da Livraria Cultura, até mesmo em época de Natal. Hoje, os “Deuses” ficam na mesinha da minha sala e fazem todas as minhas visitas gargalharem, sozinhas. Até mesmo minha sogra, evangélica.
Mais alguns anos depois, trabalhando na revista, fiz uma materinha sobre quadrinhos e pedi para o Laerte fazer algumas indicações de HQ para as leitoras. Escrevi um e-mail e ele respondeu com uma gentileza sem igual. Ele atrasou, pediu desculpas e explicou que não estava em uma fase muito boa. Mas aceitou e fez uma lista maravilhosa, que me rendeu a leitura de Na Prisão, um mangá ótimo da Conrad, que também foi para a mesinha de centro da sala. Só depois é que fui entender o que se passava, lendo sua entrevista na Folha. Só então me toquei que sua gentileza tinha sido ainda maior do que eu tinha notado.
Na ocasião, contei ao meu pai. E ele comentou que é muito bom quando a gente descobre que uma pessoa que a gente admira sem conhecer de verdade é realmente legal. É muito decepcionante quando a gente descobre que um ídolo é na verdade uma pessoa muito escrota. E não foi o que aconteceu.
No último Natal, o presente que meu pai pediu foi o Laertevisão – que ainda não roubei para ler. Hoje, quando vi o Laerte em um evento tão bacana, lembrei de tudo isso e foi difícil me segurar para não tietar. Ou ao menos agradecer por ele ter feito parte de momentos tão preciosos entre mim e meu pai, e provavelmente de muitas outras pessoas. Mas sei que, nessas horas, tudo o que a gente consegue dizer é algo como “li todos os seus livros” ou qualquer outra babaquice. Fica aqui, então, meu muito obrigada.

Há seis anos, pouco antes do Natal, me ocorreu que um bom presente para minha esposa seria um bichinho de estimação. Nós, por motivos financeiros, não podíamos (e ainda não podemos) ter filhos ainda, mas um bicho de estimação seria ideal.
Eu já tive muitos cães e sabia que eles não eram adequados para um apartamento. Sempre tive gatos (e eu estava de saco cheio de gatos. Apesar de ter certeza de que, se eu comprasse um, me apegaria a ele). Eu queria algo diferente.
Mas havia uma terceira opção: comprar um furão (ferret). Eu já tinha mostrado furões para a Maíra e ela tinha adorado. Desde que eu mostrei e disse como eles eram, ela não parava de ver páginas sobre eles. Mas tinha tirado a idéia da cabeça dela, por conta do preço.
Ferrets são muito mais sapecas que gatos. Gostam de esconder nossos objetos, subir nas coisas, aprontar, aprontar e aprontar. Achei interessante e conversei com o pai de minha esposa (vulgo John), e com a mãe dela (Luiza) para racharmos em 3 esse presente, pois ferrets são caros (e na época minha condição financeira era ainda pior). Fui numa loja e o vendedor me mostrou. Fiquei receoso de pegar a princípio, pois jamais tinha pego um ferret no colo antes, mas logo me acostumei. Ele queria fugir do colo a todo custo (sim, eles raramente pedem colo) e o vendedor me mostrou um truque : acariciava a bochecha dele e perto dos olhos e ele ficava bocejando sem parar. Me apaixonei.
Foi um ótimo presente. Quando ela chegou em casa e viu ele, ficou feliz. Mas durou pouco. Em poucos minutos, ele foi até o dedão dela e nhac, mordeu o dedo do pé a ponto de sangrar. Ela ficou um pouco assustada e acredito que a mordida aconteceu pois eles têm os dentes muito afiados e, quando pequenos, não têm noção da força. Mas foi a última vez que ele mordeu forte alguém. Ele sempre aprendeu rápido as coisas e sempre foi muito amoroso. Fugia com o cigarro das visitas, roubava bombons, chiclete, furava o sofá, enfim, fofo. E minha esposa perdeu o medo minutos depois. O nome que minha esposa deu a ele foi Joca.
Ferrets são realmente um bicho de estimação muito bom para se ter. São divertidos e alegres. Sim, são enquanto não ficam doentes. Não conheço nenhum ferret que tenha vivido mais de 7 anos, todos eles acabam por morrer cedo por diversas doenças comums à espécie, entre elas o câncer.
Há um ano e meio atrás o Joca pegou um câncer e resistiu bravamente por todo esse tempo. O câncer atingiu o órgão regulador de insulina, o pâncreas. E desse modo, com o pâncreas maior, produzia mais insulina e ele ficava com pouco açúcar no sangue (o oposto do diabético). Então ele começou a ficar fraquinho e tivemos que começar a medicá-lo, e assim foi por muitos meses. Ele já tinha quase seis anos, o que é um verdadeiro senhor para a espécie (que costuma viver entre 3 a 5 anos em média). Ontem, quando chegamos em casa após termos saído com amigos, ele estava entregue como jamais tínhamos visto. Quando vi ele daquele jeito logo pensei “ele está nos deixando” e enquanto a minha esposa limpou o cantinho dele eu fiquei com ele no braço nanando ele.
Em seis anos, o tempo tinha levado o jeitinho de filhote, e também levou muitos dos pêlos que ele tinha. Na cabeça, ficou uma carequinha digna de um senhorzinho, as patas magrinhas com raros pêlos assim como a cauda quase pelada. Agora ele não mais fugia do colo, pelo contrário, ele se aninhava e queria mais. A respiração ofegante não mais era de ansiedade e sim de cansaço. Ele quase dizia “quero ir”. Fiquei ali me sentindo como Cristopher Lambert no filme Hightlander que ele via as pessoas queridas envelhecerem e morrerem e ele tinha que ficar – ali tava eu com ele no colo. Para mim, seis anos tinham mudado muitas coisas em minha vida, mas para ele tinha sido toda a sua vida. Fiz carinho nele mais uma vez perto dos olhos e ao lado da bochecha e ele não bocejou mais, esse era o sinal de que as coisas haviam mudado. Engoli aquele sentimento na garganta e aninhei ele no cantinho dele e fui dormir. Eu estava certo de que no dia seguinte levaríamos ele para a veterinária e teríamos que sacrificá-lo, mas não foi assim.
Durante a noite ele não quis esperar. Enquanto dormíamos ele partiu. Uma benção de Deus, creio eu. Muito pedi para que ele fosse dormindo, sem precisar morrer numa mesa de cirurgia por conta de uma injeção letal.
Enfim, ele se foi. Já esperavamos isso e um misto de contentamento por ele ter sofrido pouco nos momentos finais com a tristeza da partida ficou. O espaço vazio que ficou embaixo da escada não é maior do que o que ficou nos nossos corações.
Tchau, Joca!
Agora minha mãe está com blog! Lá, ela vai contar hilárias – se não fossem trágicas – histórias das andanças dela e de amigos pelos processos seletivos das empresas por aí, além de outras reflexões sobre os absurdos da vida. Confiram!
Desde -feira o Padre Adelir Carli está sumido após tentar quebrar o record mundial de permanência no ar usando balões de festa, exato, balões de festa. Para piorar existem testemunhas que dizem que o padre tinha personalidade teimosa e que colocava a vida de pessoas em risco, além de ser exibicionista. Seja como for o que me afetou foi que desde a “tragédia” todos me perguntam se ele era parente meu, devido ao meu
sobrenome incomum ser igual ao do padre, e por ele também ser do Paraná.
Pode ser parente? Até pode sim. Uma grande população de italianos pobres vieram tentar a sorte no Brasil no inicio do século pássado e ao chegar lhes era exigido sobrenome, coisa que muitos camponeses italianos não tinham ou preferiam deixar para trás. Então eles colocavam o lugar de onde vinham, no caso da Vila Carli . Ai surgiu o sobrenome Di Carli, De Carli ou simplesmente Carli como é o meu caso (sem contar as variações Carly e Carlly).
Como a vila era pequena e pobre a chance de eu ter algum parente comum com ele no início do século passado é bem grande. Talvez tenha vindo dali o gene doido que algums parentes meus tem por fazer projetos malucos sem chance de sucesso, ao menos alguns dos meus foram para frente ^^, talvez ter estudado curso superior em Análise e Gerenciamento de projetos me fizeram escapar desse destino =D
E quanto ao padre até indicado ao prêmio Darwin ele foi:
http://darwinawards.com/slush/new/pending20080421-082754.html
A imagem foi feita por um amigo meu, o Shy, que colaborou em ajudar a divulgar o novo Turist-Guy
Essa copiei de um blog de uma amiga, da Zel, alias que pelo visto já havia copiado de outros ^^
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O que eu estava fazendo há 30 anos?
estava no colo de minha mãe, com apenas 3 meses mamando ^^
e há 25 anos?
com uma revista debaixo do braço eu estava deixando a casa, para mim tudo que precisava era de um gibi. E é claro, minha mãe e vizinhos desesperados me procurando^^
morava em Curitiba no Portão, tinha medo da Maria Louca que era casada com um policial, meu vizinho Everson era um mimado e não queria dividir os brinquedos para brincar, já os meus eu quebrava já no dia do aniversário ja que eu dividia eles com todo mundo, acho que sempre fui de dividir meus bems, por isso que hoje tenho tão poucos ^^
20 anos?
tinha 10 anos e estava morando com meus avós, foi uma época difícil para mim, irmãos e meus pais. Mas eu arrumava um jeito de me divertir com meu irmão menor, passávamos tardes incendiando jornal usando uma lupa ganha de meu pai.
foi nessa época que ascendeu minha paixão por computadores, usando um IBM-PC XT dotado de MS-DOS de meu tio eu digitei meu primeiro comando no computador “dir”, a tela respondeu mostrando uma lista de letras e números que não faziam sentido para mim, mas me drogou.
15 anos?
conheci a mulher de meus sonhos, vivi uma louca paixão que viria moldar minha personalidade para muitas coisas em minha vida dali para frente, apesar de me trazer muito sofrimento também.
fiz o curso de ms-dos 7 vezes, sim porque para cada novo curso você sempre tinha que reaprender ms-dos. Também estava juntando para comprar meu primeiro computador descente (antes só tive computadores alugados, sempre ja fora de linha).
10 anos?
morava em São José Dos Pinhais e estava empolgado com a Internet e ja fazia meus primeiros programas em arquivos .bat e Visual Basic.
pela internet vim a conhecer a mulher da minha vida que fiquei casado, e feliz, todos os anos seguintes a este. A mulher é claro é a Má que divide esse blog comigo. ^^
5 anos?
morava em São Paulo e cursava faculdade de Ciências da Computação e trabalhava como louco na Politec (empresa de tecnologia) eu finalmente estava fazendo o que gostava e talvez por isso não vi os abusos da empresa em cima de seus funcionários. Erro que me causou diversos problemas de saúde.
vivia os primeiros anos de casado e estávamos começando a se entender, os primeiros anos sempre são os mais difíceis, viviamos num AP em um prédio horroroso e tinhamos uma vida muito difícil financeiramente.
o Joca (nosso furão) veio morar com a gente nesse ano ^^
1 ano?
ainda em SP, vivendo feliz do lado da Maíra e trabalhando em casa com o que gosto (mas sem o stress de trabalhar em empresa) e cuidando de nosso servidor.
… seus sobrinhos nunca ouviram falar de De Volta para o Futuro.
… seus sobrinhos não sabem que existe um filme Alien e outro Predador, e não apenas essa bizarrice de Alien x Predador.
… seus sobrinhos mal sabem que existia Star Wars nos anos 70, 80.
Receber os sobrinhos mais fofos do mundo em casa tem dessas…
Ao menos viciamos de vez os dois em RPG! Ê! E, claro, fizemos assistirem aos três filmes de Marty McFly. E eles adoraram! Difícil foi fazer eles imaginarem quão longínquo era o ano de 2015 quando o filme foi lançado. Céus, eu me lembro disso!